sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Entrevista

Entrevista que dei ao cineasta e  diretor de teatro André Amaro, que comanda o Programa Trilha das Artes, na Rádio Câmara. Na oportunidade, falei sobre meu novo livro de contos Uma mulher à beira do caminho (Editora Patuá, 2017), sobre minha dramaturgia e minha atividade como roteirista de cinema. Escolhi algumas músicas como trilha sonora do nosso encontro artístico. Para acessar e ouvir a nossa conversa, basta clicar no link abaixo e, na página do programa, baixar o áudio:




domingo, 29 de outubro de 2017

Entrevista

Entrevista que dei à escritora Paulliny Gualberto Tort, que comanda o programa Marca Página na Rádio Nacional de Brasília. Falei sobre meu novo livro de contos Uma mulher à beira do caminho (Editora Patuá) e sobre meu processo criativo.Podendo, ouça também a entrevista feita com o poeta Jr. Bellé. É só acessar o link abaixo:




domingo, 22 de outubro de 2017

Entrevista


Para acessar a entrevista que dei ao escritor Dílson Lages Monteiro é só clicar no link abaixo:

PORTAL ENTRETEXTOS.
Na entrevista, falo sobre meu novo livro de contos Uma mulher à beira do caminho (Editora Patuá) e sobre meu processo criativo.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Meu novo livro de contos!


A Editora Patuá e o Café Martinica convidam para o lançamento do livro de contos UMA MULHER À BEIRA DO CAMINHO, de Geraldo Lima.

Data: 11/10/2017
Local: Café Martinica, 303 Norte, Brasília-DF
Horário: A partir das 19h.

O livro já está em pré-venda e pode ser adquirido neste link:




segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A arte nas paradas de ônibus


Por Geraldo Lima

Para o filósofo iluminista Voltaire, “a pintura é poesia sem palavras”. Já o gênio renascentista Leonardo da Vinci afirmou que “tudo que é belo morre no homem, mas não na arte”. É a arte, em suas diversas modalidades, que permite ao ser humano escapar da estreiteza da vida regida apenas pela rotina cotidiana e pela repetição de gestos sem transcendência alguma. A vida, sem a intermediação da arte, seria insuportável. Por isso o poeta Ferreira Gullar disse que “a arte existe porque a vida não basta”.

Agora, quando a arte invade as ruas das cidades, a chamada arte urbana, oferecendo às pessoas, no seu ir e vir estressante, a oportunidade da fruição estética, seu poder de agir sobre a sensibilidade dos cidadãos mais que aumenta. Já não há barreiras entre o público e a obra de arte. Já não há desculpas para não apreciar o objeto artístico.  

Quem mora em Sobradinho tem vivido essa experiência estética há anos. Por mais de uma vez, artistas da cidade fizeram das paradas de ônibus verdadeiras obras de arte. Ainda que efêmeras, essas obras de arte contribuem, com certeza, para tornar a paisagem urbana menos cinza e menos dura.

Mais uma vez, como a maioria dos seus moradores já deve ter percebido, Sobradinho tornou-se uma galeria de arte a céu aberto. Quem anda pelas ruas da cidade serrana, ainda que fustigado pela pressa, já deve visto as paradas de ônibus cobertas por pinturas, ora geométricas, ora figurativas, ora misturando essas duas correntes artísticas. O que salta aos olhos, mesmo do ser mais indiferente, é o colorido e a beleza desses quadros expostos para a apreciação de todos, entendidos ou não em arte. O mentor (e autor da maioria dessas pinturas) é o artista plástico Toninho de Souza, que já tem uma carreira artística consolidada dentro e fora do país. Com suas araras, tucanos e melancias, poéticos e coloridos, ele presenteou a cidade com uma megaexposição de pinturas. Parte dela está na Galeria de Arte Vincent Van Gogh, na Quadra 08, outra, nas paradas de ônibus. Tudo isso faz parte da I Bienal Internacional de Arte Urbana de Toninho de Souza, que trouxe, inclusive, artistas de outros países, como Portugal, Colômbia e Argentina. O artista, num projeto arrojado, levou sua Bienal também para o Museu Histórico de Planaltina e planeja pintar as paradas de ônibus que se encontram no trajeto entre as duas cidades.
A exposição na Galeria Vincent Van Gogh tem data para acabar, 31 de agosto, já as obras nas paradas de ônibus, ainda que ameaçadas pelas intempéries ou pela insensibilidade de alguns, devem permanecer por longo tempo expostas para o deleite estético de todos nós, seres bombardeados cada vez mais pela cultura de massas sem nenhum valor artístico.  

(Texto publicado, originalmente, no Jornal de Sobradinho)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Vacas

Por Geraldo Lima

Umas vacas vêm pastar aqui perto de casa pela manhã. Umas vacas mestiças, de pequeno porte e pelagem variada. Umas vacas concentradas no ato ancestral de pastar, de simplesmente encher o bucho e depois ruminar. Contemplo a placidez delas, bovinamente coesas na manada, indo e vindo em busca do melhor capim. Os anuns, movidos também pela fome e pelo instinto, seguem-nas em busca de carrapatos saltando de arbusto em arbusto. A cena, um recorte lírico diante dos meus olhos, dura alguns minutos, até que vacas e anuns, saciados, se deslocam para fora do meu campo de visão.

(Texto publicado, originalmente, no Jornal de Sobradinho)


sábado, 13 de maio de 2017

Adeus a Belchior


Por Geraldo lima



E lá se foi Belchior – agora, definitivamente. Se havia sumido de repente, em 2007, deixando todos perplexos, fãs, amigos e familiares, sabíamos, no entanto, que a qualquer momento poderia voltar e encher de novo teatros e ginásios com seu canto agudo e forte, como o fez no Ginásio de Esportes de Sobradinho, se não estou enganado, numa das Temporadas Populares. No dia 30 de abril, porém, essa esperança morreu. O cantor cearense, autor de músicas magistrais como “Apenas um rapaz latino-americano”, “Como nossos pais”, “A palo seco”, “Paralelas”, e tantas outras mais, partiu de vez para o andar de cima, como alguns costumam dizer.

Além da voz grave e reverberante, o que me chamou a atenção nas canções de Belchior foram as suas letras. Mais precisamente a sua capacidade de dizer, nessas letras, coisas contundentes e corajosas. Imagine que, depois de toda a revolução sexual dos anos sessenta, do movimento hippie, do feminismo em andamento, ele ousa dizer, em 1976, na música eternizada por Elis Regina: “Que apesar de termos/Feito tudo o que fizemos/Ainda somos os mesmos/E vivemos/(...) /Como os nossos pais”. Ter a coragem de se contrapor, de modo crítico, ao que havia cantado Caetano Veloso [ainda que com ironia] na sua música Divino maravilhoso, ao dizer, em Sou apenas um rapaz latino-americano: “Mas sei que nada é divino, nada, nada é maravilhoso”. Já em Alucinação, sem medo de contrariar os que cultivam algum misticismo ou buscam na cultura oriental um modo de suportar o cotidiano, ele diz, delimitando bem a matéria da sua poética musical: “Eu não estou interessado/Em nenhuma teoria/Nem nessas coisas do oriente/Romances astrais/A minha alucinação/É suportar o dia-a-dia/E meu delírio/É a experiência/Com coisas reais”. Era do real, da vida bruta do dia a dia, que ele extraía sua música, daí que essa sua música, às vezes lancinante, densa, irônica, nos diga tanto, signifique tanto para quem aprende a ouvi-la com apreço.

Foi-se então o bardo, o cantor/compositor que enriqueceu mais ainda, com suas canções geniais, o repertório da música popular brasileira. Valeu, no entanto, sua jornada por aqui, mesmo com os percalços dos últimos anos. Pena mesmo é não poder ouvi-lo mais ao vivo. 

[Texto publicado, originalmente, no Jornal de Sobradinho]